segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Luz



Foto: Cibele Delfim

Pela Luz Dos Olhos Teus
Composição: Vinicius de Moraes

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai, que bom que isso é, meu Deus
Que frio que me dá
O encontro desse olhar

Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus
Me sinto incendiar

Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus
Já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais larirurá

Pela luz dos olhos teus
Eu acho, meu amor
E só se pode achar
Que a luz dos olhos meus
Precisa se casar

domingo, 2 de janeiro de 2011

Encontro Breve II

Foto: Cibele Delfim
QUEM ESTÁ ADMIRANDO QUEM?

Foto: Cibele Delfim
Linda Isabelly!
O retrato de um
encontro perfeito!
Sublime!
Amei estar com vocês!
beijos
Cibele

A ALMA É CURADA AO ESTAR COM CRIANÇAS
Fiódor Dostoiévski

Sublime...

Foto: Cibele Delfim

De Cartas a um Jovem Poeta

Maio 14, 1904, Rome
Amar também é bom:
porque o amor é difícil.
O amor de duas criaturas humanas
talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta,
a maior e última prova,
a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação.
Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo,
não sabem amar: tem que aprendê-lo.
Com todo o seu ser,
com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário,
medroso e palpitante,
devem aprender a amar.
Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura.
Assim, para quem ama,
o amor,
por muito tempo e pela vida afora,
é solidão,
isolamento cada vez mais intenso e profundo.
O amor, antes de tudo,
não é o que se chama entregar-se,
confundir-se, unir-se a outra pessoa.
Que sentido teria, com efeito,
a união com algo não esclarecido,
inacabado, dependente?
O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer,
tornar-se algo em si mesmo,
tornar-se um mundo para si,
por causa de um outro ser;
é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz,
uma escolha e um chamado para longe.
Do amor que lhes é dado,
os jovens deveriam servir-se unicamente como de um convite para trabalhar em si mesmos.
A fusão com outro, a entrega de si,
toda a espécie de comunhão não são para eles;
são algo de acabado para o qual,
talvez, mal chegue atualmente a vida humana.
Creio que aquele amor persiste tão forte e poderoso
em sua memória justamente por ter sido sua primeira solidão
profunda e o primeiro trabalho interior com que moldou a sua vida.

Rainer Maria Rilke

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Capricho da Mãe Natureza II

Foto: Andre Mosse
Um capricho só é pouco...
Mais um capricho da natureza!
Olhar sensível!
Vida onde não se imagina!
Singela apenas...
Vida!
Cibele

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Gelo Eterno?

Glacial Perito Moreno - Patagônia
Foto: Andre Mosse

Entender...

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector

Viajar é sentir...

Foto: Andre Mosse

Sentir
Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente, porque todas as coisas são,
em verdade, excessivas e toda a realidade é um excesso,
uma violência, uma alucinação extraordinariamente nítida
que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
o centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.

Álvaro de Campos

Obs.: Parabéns Andre por chegar ao extremo sul do continente americano!
Apreciei cada detalhe das imagens e confesso que ainda estou imaginando o som deste lugar mágico!
Cibele

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Navegar é Preciso...

Foto: Cibele Delfim



Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa

[Nota de SF
"Navigare necesse; vivere non est necesse" - latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu]